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  • Gustavo Schechtel

NINGUÉM DÁ O QUE NÃO TEM...

Atualizado: Abr 21



Muito se fala na qualidade de vida na terceira idade, ou como muitos estão atribuindo, na melhor idade.

Teoricamente tem-se a impressão que tudo estava caminhando para uma terceira idade com muita qualidade de vida. Mas, com suas exceções, não está sendo bem assim.

Essa dificuldade pode ser, na minha visão de terapeuta, atribuída em compreender e lidar com o grande degrau que existe entre seus pais e seus filhos. Como lidar com coisas novas, tão diferentes das que foram ensinadas e vividas na antiga escola da vida.

Nunca num espaço tão pequeno de tempo houve tanta mudança.

Tecnologia, convenções sociais, espiritualidade, informações, trabalho e principalmente, as relações humanas.

A tecnologia aproximou o mundo, trouxe conforto e facilitou nosso cotidiano. Mas também nos expôs. Ditou padrões e exigiu máscaras para que sejamos aceitos e admirados. Foi difícil e angustiante para a terceira idade aceitar que a autenticidade não é mais necessária.

Para que o homem conversasse com Deus ele tinha que ser intermediado pela igreja. Era ela que detinha o monopólio da regulação e forma de se relacionar com Deus. Igreja e espiritualidade era uma coisa só. Hoje a espiritualidade é algo capaz de proporcionar melhorias. Não falta oportunidade para ter novas experiências espirituais. É difícil entender que a ioga e a meditação também te aproximam de Deus. Onde o padre fica nessa história?

Foi uma geração que, seja homem ou mulher, foi criada para trabalhar muito. O indivíduo de fibra era aquele que enfrentava o trabalho com garra e determinação, independente do que sentia. A recompensa vinha depois do trabalho. Era quase que uma heresia falar de recompensa sem apresentar resultado.

Hoje se não há prazer, não se trabalha. O espaço para fazer coisas diferentes tornou-se mais fértil e com muito mais aceitação. É muito difícil compreender, para a terceira idade, que a casa virou hotel, o carro virou taxi e o baile virou rede social que proporciona prazer e até casamento.

As relações a dois eram baseadas no casamento, na adaptação, na superação e até no sofrimento para que fosse mantido. Hoje ela é líquida, escorre, não tem forma e nem cria vínculos. É muito complicado para a terceira idade aceitar que a superficialidade e o prazer ditam os relacionamentos.

As relações humanas, ditada pelos seus pais, foi forjada sem afeto. O importante era ser uma boa pessoa e um bom empregado. Era fazer o serviço bem feito.

Foi o que essa geração fez. Também criou seus filhos, como lhes foi ensinada, para serem boas pessoas e bons empregados, mas, sem afeto.

O resultado foi a cobrança, de si mesmo e dos filhos, sobre a falta de afeto.

Porque não foi diferente e mais leve. Isso gerou e gera uma grande carga emocional negativa.

A diferença entre como criou e como deveria ter criado seus filhos causa culpa. E como toda culpa, vem acompanhada de punição.

Precisamos entender que ninguém pode dar o que não tem. Precisamos valorizar o que foi feito, independente do como. Era o que tinha para a janta.

É necessário fazermos as pazes com o passado para que possamos viver o presente e estarmos preparados para o futuro.

Envelhecer não é doença, mas se sentir inadequado e como estorvo, deixa doente.

A diferença de contexto deve ser considerada.

Afinal, ninguém sabe os degraus que vem pela frente!!!

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